Há pessoas que chegam à Uma Boa Questão porque se identificam com o que estamos a fazer. Aproximam-se, conhecem o trabalho, trazem ideias, competências, perguntas. Algumas tornam-se cooperadores. Outras colaboram de outras formas.
E depois a vida acontece.
O trabalho, a falta de dinheiro, a mudança de cidade, a família, outros projetos, simplesmente a necessidade de dedicar tempo a outras coisas. Pessoas que estavam muito presentes deixam de conseguir estar. Algumas regressam mais tarde. Entretanto, chegam outras.
Para quem fica, isto nem sempre é fácil. Há trabalho que se perde, responsabilidades que têm de ser redistribuídas, conhecimento que precisa de ser transmitido novamente. Às vezes parece que estamos sempre a começar outra vez.
Mas não estamos.
Alguma coisa permanece. Os projetos continuam, as ideias transformam-se, novas pessoas chegam e outras deixam contributos que continuam presentes mesmo quando já não conseguem acompanhar o ritmo.
Talvez esta seja uma das coisas mais difíceis de aceitar quando se tenta construir qualquer coisa em conjunto: as pessoas não vivem para as organizações em que participam.
Cooperar acontece dentro da vida, não fora dela.
E talvez seja precisamente aí que esta experiência se torna interessante. Não sabemos ainda se encontrámos a melhor forma de lidar com esta instabilidade. Sabemos apenas que ela existe, que às vezes nos desgasta e que, apesar dela, continuamos a fazer coisas acontecer.
Talvez cooperar seja também aprender a trabalhar com aquilo que cada pessoa consegue trazer, no momento em que consegue trazê-lo.
É uma aprendizagem que ainda estamos a fazer.



